Um dos maiores diferenciais da carreira na Marinha Mercante não está apenas no salário — está no pacote completo. Quando você compara o que um aquaviário recebe com o que um trabalhador de nível equivalente em terra costuma ter, a diferença é significativa.
Esta é a lista completa dos benefícios de quem trabalha embarcado.
1. Alimentação completa inclusa
Durante todo o período embarcado, a empresa fornece todas as refeições do dia: café da manhã, almoço, jantar e lanches intermediários. O cozinheiro a bordo — também um aquaviário formado pelo CAAQ — prepara as refeições para a tripulação.
Não é marmita de bandejão. É comida feita na hora, três vezes por dia, sem custo para o trabalhador. Para quem em terra gasta entre R$ 25 e R$ 50 por dia só com alimentação, isso representa uma economia de R$ 750 a R$ 1.500 por mês durante o embarque.
2. Moradia a bordo
O profissional embarcado não paga aluguel durante o período a bordo. O camarote — individual ou duplo conforme a embarcação — é fornecido pela empresa. Água, luz e ar-condicionado inclusos.
Para quem em terra paga R$ 800, R$ 1.200 ou mais de aluguel por mês, esse benefício sozinho já muda o cálculo financeiro.
3. Transporte até o embarque
A empresa é responsável pelo transporte do trabalhador de sua cidade de origem até o ponto de embarque (porto ou base), e de volta ao desembarcar. Para quem mora longe do porto de operação, isso significa passagens aéreas ou terrestres custeadas pela empresa ao longo de toda a carreira.
4. Adicional de embarque
Previsto em convenções coletivas das categorias da Marinha Mercante, o adicional de embarque é uma compensação pelo trabalho a bordo — geralmente entre 30% e 40% sobre o salário base.
Ele é integrado ao cálculo de todos os demais benefícios trabalhistas: 13º salário, férias e FGTS são calculados sobre o salário base + adicional. Na prática, é como se o salário "oficial" fosse maior para fins de direitos trabalhistas.
5. Folga remunerada em casa
Para cada período embarcado, há um período equivalente de descanso em casa — e esse período é pago. A escala mais comum é 14 dias a bordo / 14 dias em casa, ou 28x28 em algumas operações.
Não são férias acumuladas. É o regime normal da função. O trabalhador passa semanas em casa sem precisar pedir licença — e recebendo normalmente.
6. Direitos CLT completos
O vínculo empregatício é formal, com todos os direitos trabalhistas:
- FGTS — 8% sobre o salário bruto, recolhido mensalmente;
- INSS — contribuição para aposentadoria e benefícios previdenciários;
- 13º salário;
- Férias remuneradas com adicional de 1/3;
- Aviso prévio e multa em caso de demissão sem justa causa.
7. Plano de saúde (em muitas empresas)
Grandes armadoras e operadoras offshore — especialmente as que prestam serviços para a Petrobras — costumam incluir plano de saúde no pacote. A cobertura e a extensão para dependentes variam por empresa. É um item a verificar no contrato antes de assinar.
8. Insalubridade e periculosidade (quando aplicável)
Dependendo do cargo e das condições de trabalho, o aquaviário pode ter direito a adicional de insalubridade (10%, 20% ou 40% sobre o salário mínimo) ou periculosidade (30% sobre o salário base). Moços de Máquinas, por exemplo, trabalham em ambiente com ruído e calor elevado, o que pode gerar direito ao adicional.
Veja o artigo completo: Quem trabalha embarcado recebe insalubridade?
O cálculo real do pacote
Imagine um Moço de Convés com salário base de R$ 2.500. Com adicional de embarque de 40%, o salário efetivo fica em R$ 3.500. Alimentação (R$ 1.200/mês estimado), moradia (R$ 800/mês estimado) e transporte (R$ 300/mês estimado) são pagos pela empresa durante o embarque.
O valor total do pacote, considerando apenas os itens básicos cobertos pela empresa, equivale a um salário efetivo de R$ 5.800 a R$ 6.100 mensais — em um cargo de entrada, com ensino fundamental.
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