Carreira

Qual a Área Mais Fácil para Trabalhar Embarcado?

Publicado em 18/06/2026 · Leitura de 6 min

Tripulante trabalhando no convés — área mais acessível para quem quer entrar na Marinha Mercante

Quando alguém pergunta qual área é "mais fácil", geralmente quer saber: por onde eu entro mais rápido, com menos pré-requisitos, e sem depender de uma qualificação técnica que ainda não tenho? A resposta direta é: a área de convés, pelo cargo de Moço de Convés.

Mas "mais fácil de entrar" não significa "mais fácil de permanecer" — e entender essa diferença é o que vai te ajudar a fazer uma escolha que funciona a longo prazo.

A estrutura de cargos a bordo

Uma embarcação da Marinha Mercante é dividida em três áreas principais:

Os cargos de entrada em cada área são, respectivamente: Moço de Convés, Moço de Máquinas e Taifeiro/Cozinheiro. Cada um desses cargos tem um caminho de formação diferente e exige coisas diferentes do candidato.

Por que o convés tem a menor barreira de entrada

O Moço de Convés é formado pelo CFAQ — Curso de Formação de Aquaviários, oferecido pelo PREPOM da Marinha do Brasil. Os requisitos são:

Não há exigência de conhecimento técnico prévio, certificações específicas ou experiência embarcada. O curso forma do zero. Para quem está saindo da escola ou mudando de área, é o ponto de partida mais natural.

Rebocador no porto — cargo de Moço de Convés cobre operações de manobra e amarração
O Moço de Convés atua na área externa da embarcação — manobras, amarração e manutenção de convés.

E a área de máquinas?

O Moço de Máquinas também é formado pelo CFAQ — o mesmo curso do Moço de Convés. A barreira de entrada é praticamente idêntica: ensino fundamental, prova de seleção e aptidão física.

A diferença está no ambiente de trabalho. A praça de máquinas é confinada, ruidosa e com calor elevado. Não é para todo mundo — e quem não se adapta tem dificuldade de permanecer mesmo depois de aprovado no processo seletivo.

Por outro lado, a área de máquinas oferece:

O serviço de bordo: entrada pelo CAAQ

Os cargos de Taifeiro, Cozinheiro e Auxiliar de Saúde são acessados pelo CAAQ — Curso de Aperfeiçoamento de Aquaviários. A diferença crítica em relação ao CFAQ é que o CAAQ exige habilitação profissional em terra na função correspondente.

Ou seja: para ser Cozinheiro a bordo, você precisa ter curso de cozinheiro em terra. Para ser Eletricista, precisa do certificado de eletricista. Para Auxiliar de Saúde, precisa do curso de técnico de enfermagem ou similar.

Isso torna o CAAQ menos acessível para quem está partindo do zero — mas muito atraente para quem já tem uma profissão e quer adaptá-la para o trabalho embarcado.

Tripulação a bordo — cada área tem requisitos e rotinas diferentes
A tripulação inclui profissionais de convés, máquinas e serviço de bordo — cada área com sua própria rota de formação.

Comparativo: as três áreas lado a lado

Dica prática: Se você não tem certeza de qual área escolher, a área de convés oferece a maior flexibilidade no início. Com o tempo a bordo, você entende melhor o ambiente e pode decidir se quer seguir na carreira de náutica ou fazer uma transição para outra especialidade.

A prova de seleção é o real filtro

Independente da área, o filtro real para entrar na Marinha Mercante é a prova do PREPOM. É lá que a maioria das pessoas trava — não porque o conteúdo seja difícil, mas porque ficaram anos sem estudar Português e Matemática e chegam sem preparação.

A prova cobre interpretação de texto, gramática básica, operações com frações, porcentagem e regra de três. Quem se prepara especificamente para esse formato tem taxa de aprovação muito maior.

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