Em março de 2026, o Fundo da Marinha Mercante (FMM) aprovou R$ 3,2 bilhões em investimentos para projetos navais na Região Sudeste. A decisão, tomada na 62ª reunião do Conselho Diretor do FMM, é uma das maiores injeções de recursos no setor naval brasileiro dos últimos anos — e traz consequências diretas para quem quer entrar ou crescer na carreira marítima.

São 1.610 empregos diretos previstos, distribuídos entre construção de embarcações, manutenção de navios, reparos em estaleiros e expansão de infraestrutura portuária. Empresas como Wilson Sons, CBO Holding, OceanPact e o complexo portuário Porto Central estão entre os principais beneficiários.

"O investimento reforça o papel estratégico do setor naval para o desenvolvimento regional, gerando emprego e ampliando a capacidade operacional do país."

— Ministro Tomé Franca, Portos e Aeroportos

O que é o FMM e por que isso importa

O Fundo da Marinha Mercante é um fundo federal criado para financiar o desenvolvimento da indústria naval e da navegação mercante no Brasil. Funciona como um banco específico para o setor: empresas do segmento — armadores, estaleiros, operadores portuários — pedem recursos para construir navios, reformar estaleiros ou expandir operações. O FMM analisa e aprova os projetos.

Quando o FMM aprova bilhões em projetos, o resultado prático é simples: mais navios sendo construídos, mais estaleiros operando, mais embarcações em atividade — e, portanto, mais vagas para marítimos.

O Brasil tem uma característica única: somos o maior mercado de apoio offshore do mundo fora do Golfo do México. A Bacia de Campos, a Bacia de Santos e agora a Margem Equatorial formam um triângulo de demanda que sustenta dezenas de empresas de navegação — e o FMM é o motor financeiro por trás de muito dessa expansão.

Onde vai o dinheiro: os projetos por estado

🏗️ Espírito Santo — R$ 2,178 bilhões

Porto Central — Complexo Industrial Portuário

  • Maior projeto aprovado na rodada: foco em infraestrutura portuária de grande escala
  • 438 empregos diretos previstos
  • Posiciona o ES como novo polo de logística marítima no Sudeste

⚓ São Paulo — R$ 632,1 milhões

Wilson Sons — 23 obras

  • Construção de embarcações, manutenção, reparos e dockagem
  • 117 empregos diretos
  • Wilson Sons é uma das maiores operadoras de rebocadores e apoio offshore do Brasil

🛢️ Rio de Janeiro — R$ 385,4 milhões

Quatro empresas, 1.055 empregos diretos

  • CBO Holding: R$ 213,8 mi · 16 obras · 575 vagas — uma das maiores frotas de apoio offshore do Brasil
  • Estaleiro Farol de São Thomé (OceanPact): R$ 97,8 mi · 170 vagas — foco em embarcações especializadas
  • Belov Engineering: R$ 68,7 mi · 4 obras · 50 vagas
  • Galáxia Navigation: R$ 5,1 mi · 260 vagas

O que isso significa na prática para marítimos

Investimento em construção naval e expansão de frota tem efeito cascata no mercado de trabalho marítimo:

📊 O momento para entrar é agora

Ciclos de investimento como esse levam de 12 a 36 meses para gerar as vagas — o que significa que quem se preparar hoje vai estar qualificado exatamente quando as contratações começarem.

R$ 3,2 bi
Investimentos aprovados
1.610
Empregos diretos
4 estados
ES, SP, RJ (+ projetos futuros)

Quem são as empresas que vão contratar

CBO Holding

Com R$ 213,8 milhões aprovados e 16 obras em andamento, a CBO é uma das maiores beneficiárias da rodada. A empresa opera embarcações de apoio offshore — os PSVs e AHTSs que abastecem plataformas da Petrobras na Bacia de Campos. Funcionar nessa frota requer marítimos com CFAQ, CAAQ e certificações específicas de segurança marítima.

Wilson Sons

Presente em Santos (SP), a Wilson Sons é referência em rebocadores portuários e apoio offshore. Com 23 obras e R$ 632 milhões aprovados, a empresa vai precisar de marinheiros, motoristas e pessoal de convés para operar a nova frota. Quem tem habilitação aquaviária tem prioridade nessas contratações.

OceanPact — Estaleiro Farol de São Thomé

Especializada em embarcações de pesquisa e monitoramento ambiental, a OceanPact recebeu R$ 97,8 milhões. A empresa opera navios científicos e de inspeção submarina — uma frente crescente no setor de energia offshore e meio ambiente marinho.

Porto Central (ES)

O maior projeto da rodada vai transformar o Espírito Santo em um novo hub portuário. Porto centrais de grande escala precisam de marítimos de apoio, rebocadores portuários e pessoal especializado em manobras navais — além de trabalhadores de terra que muitas vezes vêm da área naval.

Como o petróleo brasileiro alimenta tudo isso

A raiz de todo esse ciclo de investimento é o petróleo. O Brasil é o 9º maior produtor mundial de petróleo, e a maior parte da nossa produção vem de campos offshore — no fundo do mar. Para operar esses campos, a Petrobras e as operadoras parceiras precisam de:

Cada uma dessas embarcações precisa de uma tripulação completa: marinheiros de convés, motoristas de máquinas, cozinheiros, imediatos e comandantes. E com a Margem Equatorial sendo desbravada — uma nova fronteira de exploração ao longo do Amapá, Pará, Maranhão e Ceará — a demanda por essas embarcações e seus tripulantes vai crescer significativamente nos próximos anos.

Como se preparar para aproveitar essa onda

O caminho para entrar nesse mercado em expansão passa necessariamente pelos cursos da Marinha do Brasil:

🎓 CFAQ + CAAQ: a base obrigatória

Nenhuma empresa de navegação contrata tripulação sem a habilitação aquaviária. O CFAQ (Curso de Formação de Aquaviário) é o ponto de entrada — gratuito, oferecido pela Marinha, com duração de 3 semanas. O CAAQ vem depois, habilitando para funções de chefia.

A preparação para as provas do CFAQ e CAAQ é feita pelo PREPOM — e o NavegaGuia oferece simulados gratuitos para isso.

🔐 Certificações de Segurança Offshore

Para trabalhar em embarcações de apoio offshore — que é exatamente o que CBO, Wilson Sons e OceanPact operam — são exigidas certificações adicionais como HUET (Escape de Helicóptero Subaquático), Sobrevivência no Mar e cursos específicos de NR-34. Esses vêm depois da habilitação aquaviária básica.

🚢 Prepare-se agora para as vagas de amanhã

Com R$ 3,2 bilhões em construção e contratações nos próximos 36 meses, quem começar a se preparar hoje vai estar na frente da fila.

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Perguntas frequentes

O FMM é dinheiro público?

Sim. O Fundo da Marinha Mercante é composto principalmente pelo AFRMM (Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante) — uma taxa cobrada sobre fretes de importação que chega aos portos brasileiros. Parte desse recurso financia o próprio desenvolvimento do setor.

Quando vão aparecer as vagas?

Projetos de construção naval têm ciclo longo: aprovação do financiamento → contratação de estaleiro → construção → entrega → operação. Em média, as contratações de tripulação começam 18 a 36 meses após a aprovação dos projetos. Portanto, vagas ligadas a esta rodada do FMM devem surgir entre 2027 e 2029.

Devo esperar ou me preparar agora?

Se preparar agora. O mercado marítimo é competitivo e tem uma fila natural: quem já tem CFAQ + CAAQ + experiência de embarque sai na frente. Quando as vagas abrirem, quem já estiver habilitado é contratado em semanas — quem começar a estudar só então vai levar mais de um ano para estar pronto.

Essas empresas contratam em quais cidades?

Wilson Sons tem base principal em Santos (SP), mas opera em vários portos. CBO Holding tem operações concentradas em Macaé (RJ) e Rio de Janeiro. OceanPact opera em portos do Rio de Janeiro. Porto Central fica em Vila Velha (ES). Mas marítimos podem ser embarcados em qualquer porto de origem.