Energia · Emprego

Eólica offshore no Brasil: 697 GW de potencial e 500 mil empregos até 2050

Publicado em 17/08/2026 · Fonte: MME, Banco Mundial/EPE · Leitura de 8 min

Parque eólico offshore ao entardecer, turbinas alinhadas no mar próximo à costa brasileira

O Brasil tem 5,7 milhões de km² de área marítima — a chamada Amazônia Azul, segundo dado da Marinha do Brasil —, além de 36 mil km de rios navegáveis e mais de 700 instalações portuárias. É nesse espaço gigantesco que a eólica offshore está prestes a se instalar. E o número que mais importa para quem pensa em carreira embarcada não é o de megawatts: é o de vagas de trabalho que essa indústria nova vai abrir no mar.

Em 2025, o Brasil aprovou a Lei nº 15.097/2025, o marco legal para geração de energia eólica offshore em águas brasileiras. Um grupo de trabalho interministerial, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), tem 270 dias para detalhar a regulamentação que viabiliza o primeiro leilão de áreas. O limite de instalação já foi definido: 12 milhas náuticas da costa.

Um potencial três vezes maior que toda a energia elétrica do Brasil hoje

O potencial eólico offshore brasileiro é estimado em 697 GW. Para dar a real dimensão desse número: toda a capacidade instalada de geração elétrica do Brasil hoje — somando hidrelétricas, termelétricas, eólica terrestre, solar, tudo — soma 215,9 GW. Ou seja, o potencial só da eólica no mar é mais de três vezes maior que a capacidade elétrica total que o país já tem instalada, de todas as fontes combinadas.

Segundo o setor, a regulamentação pode destravar US$ 2 bilhões em investimento imediato — recursos que empresas internacionais já têm reservados, esperando apenas a definição final das regras para começar os projetos. O primeiro leilão de áreas era esperado ainda para 2026, mas o decreto regulatório está atrasado (previsto inicialmente para maio), e o setor já reconhece risco real de o leilão escorregar para 2027.

O dado que interessa a quem quer trabalhar embarcado: os empregos

O MME projeta mais de 500 mil empregos até 2050 ligados à cadeia da eólica offshore. Um estudo conjunto do Banco Mundial com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) chega a um número ainda mais específico: mais de 516 mil empregos e pelo menos R$ 900 bilhões de valor agregado bruto para a economia brasileira até o mesmo prazo.

Esses números são projeções — não é para tratar como promessa de vaga garantida, e o cronograma exato de quando as contratações realmente começam ainda depende do decreto regulatório e do resultado do primeiro leilão. Mas o tamanho do investimento já comprometido (US$ 2 bilhões represados) e a aprovação da lei mostram que não é especulação distante: é política pública em andamento, com prazo.

Instalação de fundação Jacket para turbina eólica offshore, guindaste e navios de apoio marítimo em operação

Por que isso é a segunda onda, não a substituição da primeira

Cada parque eólico instalado no mar precisa do mesmo tipo de estrutura de apoio marítimo que já sustenta a indústria de óleo e gás offshore: embarcações de apoio, rebocadores, tripulação qualificada, logística de transporte de componentes pesados e manutenção constante das estruturas em alto-mar. A fundação de uma turbina — chamada de Jacket — pesa centenas de toneladas e depende de navios-guindaste e de uma janela de maré programada para ser instalada com segurança.

Isso significa que a eólica offshore não compete com a demanda por trabalho embarcado que já existe hoje em petróleo — ela se soma a ela. Quem já está se preparando para o apoio marítimo offshore, seja qual for a categoria, está se qualificando para um mercado que vai ter duas frentes de demanda simultâneas nos próximos anos, não uma só.

O que muda na prática para quem já trabalha em apoio marítimo

Boa parte das funções que hoje sustentam plataformas e sondas de petróleo tem equivalente direto na cadeia da eólica offshore. Embarcações de transporte de tripulação e suprimento (as PSVs), rebocadores de manobra, navios de guindaste para instalação de estruturas pesadas e equipes de manutenção continuam sendo necessários — só muda o que está sendo instalado ou mantido no fim da linha. Um Marinheiro de Convés, um Oficial de Náutica ou um Chefe de Máquinas que já domina a rotina de apoio offshore não precisa aprender uma profissão nova para atuar num parque eólico marítimo. A base técnica é a mesma.

O exemplo mais claro disso já aconteceu em outros países que saíram na frente. No Reino Unido, num dos parques eólicos offshore mais conhecidos do mundo, boa parte da mão de obra que hoje opera e mantém as turbinas veio diretamente da indústria de petróleo — trabalhadores que já tinham experiência offshore migraram para o setor eólico à medida que a atividade cresceu na região. Não existe motivo para o Brasil seguir um caminho diferente: a experiência em apoio marítimo continua sendo a base, o setor que contrata é que muda.

O papel da Amazônia Azul nesse cenário

A Amazônia Azul — a área marítima brasileira sob soberania nacional, de 5,7 milhões de km² — não é só um número de tamanho de território. É o espaço onde toda essa cadeia futura vai operar: exploração de petróleo na Margem Equatorial, parques eólicos offshore nas zonas já mapeadas pelo governo, e a malha de mais de 700 portos que dá suporte a tudo isso. Quanto maior a atividade dentro dessa área, maior a necessidade de gente preparada para trabalhar nela — em qualquer uma das frentes que estão se abrindo ao mesmo tempo.

Quem se prepara agora sai na frente das duas ondas

A regulamentação ainda não terminou, o primeiro leilão ainda não tem data travada, e nenhuma empresa está contratando tripulação para parques eólicos offshore brasileiros hoje. Mas a formação de um aquaviário — o curso, o processo seletivo, a documentação, a experiência de embarque — não muda dependendo de qual indústria vai contratar depois. Quem entra pelo caminho certo agora chega pronto tanto para as vagas de óleo e gás que já existem quanto para a onda de eólica offshore que está a caminho.

Isso vale tanto para quem está no início da carreira quanto para quem já embarca há anos. Um candidato que está se preparando para o primeiro processo seletivo não precisa escolher entre "estudar para petróleo" ou "estudar para eólica" — a base de formação, os documentos exigidos e a experiência de bordo que o mercado valoriza são praticamente os mesmos nas duas frentes. Já quem já tem tempo de embarque em apoio marítimo acumula, sem perceber, exatamente o tipo de experiência que projetos de eólica offshore vão procurar quando as contratações começarem de fato.

O que ainda falta acontecer

Vale ser honesto sobre o que ainda está em aberto. O decreto que detalha as regras do leilão não saiu; sem ele, nenhuma empresa consegue arrematar uma área e começar a construir de fato. O cronograma de 270 dias do grupo de trabalho interministerial começou a contar a partir da aprovação da lei, e o setor já reconhece que pode não terminar a tempo de viabilizar um leilão ainda em 2026. Isso significa que os primeiros parques eólicos offshore brasileiros realmente operando — e, com eles, as primeiras vagas de tripulação — provavelmente ainda estão a alguns anos de distância, não a alguns meses.

Isso não torna o tema menos relevante para quem pensa em carreira — só ajuda a calibrar a expectativa certa. A eólica offshore não é uma vaga para se candidatar hoje. É um mercado inteiro se formando, com dinheiro represado esperando a definição das regras, e uma janela de tempo real para quem quer estar pronto quando ele começar a contratar de verdade.

Quer estar pronto para as duas ondas de demanda?

Óleo e gás continuam contratando, e a eólica offshore está chegando por trás. O Guia Gratuito do NavegaGuia ajuda a organizar o caminho de formação e documentação para quem quer entrar no apoio marítimo offshore.

Acessar o Guia